Histórico do Parque Cascata da Usina

A HISTÓRIA DA USINA

Na década de 1930, a falta de energia elétrica na região, levou o prefeito Adolfo Schneider a buscar alternativas para o problema.

Em 36 foi iniciada a construção da usina que tinha 160 HP de capacidade, corrente alternada, três fases e 50 ciclos com rede para a cidade de 6.600 volts, que chegava aos consumidores em 220 e 380 volts.

No local foi construído um prédio de alvenaria para abrigar a usina e servir de moradia para o operador.

A inauguração aconteceu no dia 11 de dezembro de 1937. Foi uma grande. A cidade tinha nesta época cerca de 170 moradias.

José Balzan foi o operador, 24 horas por dia. Mais tarde, a Prefeitura admitiu outro funcionário: Orlando Baccarin, dividindo as tarefas em 12 horas diárias para cada operador.

Durante 10 anos a usina foi auto-suficiente, mas a situação se agravou e teve-se que instalar mais dois motores a diesel de 100 HPs para reforçar a usina.

Em 1952 houve a encampação pela CEEE, passando a receber energia da Usina do Saltinho; quando a central do Rio da Prata passou por uma reforma geral e foi chamada de “Usina do Pratinha”, devido ao pequeno porte e passando a operar juntamente com a Usina do Saltinho, com potência de 85 KW.

Em 1963, a Usina do Pratinha foi desativada e cedida para Esmeralda. Com a transferência do maquinário, a casa de máquinas também foi demolida, restando somente a parte do canal na encosta do rio e piso do prédio.

Atualmente, obteve autorização da ANEEL para reativação da usina, que abastece o Complexo Caldas de Prata com energia elétrica. Para a sua reativação, foi reconstruído o canal, as comportas, tubulação e a casa de máquinas que foi adquirida da empresa Tramontina, de Carlos Barbosa, e da Witz, de Estrela.

Fonte: Jornal Correio Livre, 30/01/03. Texto de Almir Catelan, ex-funcionário da CEEE.

Produção: 240 kw/hora, para consumo exclusivo do parque.

É um dos fatores que viabilizam o funcionamento do Complexo, pois os altos custos do bombeamento dos poços seriam incompatíveis com o retorno do empreendimento.

 

MOINHO DA CASCATA – Molin del Orbo

O Moinho da Cascata da Usina foi construído por Caetano Balzan, em 1912. Auxiliado pelo exímio carpinteiro Ângelo Capelari (que já tinha um moinho em funcionamento na Capela Nossa Senhora da Saúde, Linha Sexta, próximo à residência do Laurindo Capelari, à beira do Rio da Prata) e por dois irmãos Dall`Agnol, naturais de Fastro, Itália, que eram excelentes pedreiros e carpinteiros. O moinho tinha dois conjuntos de mós para moer milho e um conjunto para fazer farinha de trigo, que funcionavam movidos por duas rodas d`água. Era feito com tábuas rachadas, de um só andar e coberto por tabuinhas. Mais tarde, construíram outro pequeno estabelecimento com outra roda hidráulica que movia um descascador de arroz.

O moinho também era conhecido como “Molin del Orbo”, Moinho do Cego, isto porque o proprietário Caetano ficou cego em conseqüência de um acidente que aconteceu no próprio moinho. Mesmo cego, ele conseguia andar normalmente pelo moinho guiado pelo som das correias, da mó e das peneiras.

Curioso foi o método usado para abrir o valo condutor da água do rio até o moinho: não tinham pólvora para detonar a rocha e em dinamite nem se falava naquele tempo. Então, eles fizeram um longo braseiro em cima da rocha onde devia ser aberto o valo. Para isso, usaram lenha de angico e nós de pinheiro. Quando a rocha ficava bem aquecida, jogavam água em cima. O choque térmico provocara a fragmentação da rocha e, em seguida, retiravam o cascalho, rebentavam as pontas das pedras com pancadas de marreta e, depois, repetiram o processo até alcançarem a profundidade necessária do valo que ainda existe no local (aproximadamente 1,50m de profundidade, por 30 a 50 cm de largura, por 6 a 7 m de comprimento).

Inicialmente os colonos levavam nas costas malas e sacos de milho e trigo desde de suas residências até o moinho, pois ele se situava num lugar de difícil acesso e não tinha estrada. Mais adiante, os habitantes de Protásio Alves passaram a carregar suas bolsas cheias de grãos, à cavalo até a beira do rio. Amarravam os animais nas árvores, mas sempre deviam levar o produto nas costas para atravessar a pinguela de 50 a 60 metros de comprimento. Essa pinguela era perigosa e amedrontava, por isso, já em 1912, Caetano construiu bem na entrada da mesma, um capitel dedicado a Santo Antônio para que este protejesse os que atravessassem a pinguela. Esta pinguela tinha duas saídas para o lado de Nova Prata, uma descia em um lajeado e era utilizada em tempo de seca. A outra, ia descer perto do moinho, num lugar mais elevado, utilizada em tempo de cheia quando a primeira saída ficava submersa.

Mais tarde, abriram uma estrada carroçável que ia de Protásio Alves até Nova Prata. Então, os colonos passaram a transportar os produtos em carroça, mas sempre deviam levar o milho e o trigo pela pinguela e trazer a farinha de volta pelo mesmo caminho.

A pinguela foi utilizada de 1912 até 1951, quando construíram a ponte. O Molin del orbo foi um dos mais importantes da região porque tinha água em abundância e não era atingido pelas estiagens.  Em tempos de seca, quando os outros moinhos paravam por falta de água, ele passava a funcionar dia e noite para atender a grande demanda.

Na medida que foram construídos outros numerosos moinhos na região, ele foi perdendo a hegemonia. A instalação de novos, grandes e modernos moinhos com moendas equipadas com cilindro de aço, movidas por motores elétricos, fez com que perdesse aos poucos a clientela até parar de funcionar. Do antigo moinho, restou um conjunto de mós para milho, instalado dentro do Complexo Caldas de Prata, onde funciona para fins culturais e de turismo.

 

 

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